Carlos Alcaraz

Alcaraz questiona bola após queda em Xangai e Bergs rebate a tese

Alcaraz questiona bola após queda em Xangai e Bergs rebate a tese

Carlos Alcaraz caiu nas oitavas de final do ATP Masters 1000 de Xangai diante do belga Zizou Bergs, 39º do mundo, e depois da partida levantou uma dúvida incomum: para ele, a bola usada no jogo parecia "maior e mais lenta" do que na estreia do torneio. Bergs, autor da maior vitória da carreira, discordou publicamente da explicação do espanhol.

A reclamação que começou ainda em quadra

Segundo relatos da partida, Alcaraz já havia comentado com sua equipe, durante o jogo, que os golpes de Bergs quicavam de forma diferente do esperado. Na entrevista pós-jogo, ele detalhou a sensação: disse que na estreia, disputada com o teto da quadra fechado, achou tudo muito rápido, mas que dois dias depois, já ao ar livre contra Bergs, teve impressão oposta. "A bola parecia maior e um pouco mais lenta. Não sei por quê. É algo que deveriam verificar", afirmou, sem apontar com certeza se a causa estaria na bola, no teto ou na combinação dos dois fatores.

Bergs rebate e minimiza o fator bola

Questionado sobre a queixa logo após o resultado mais importante de sua carreira, Bergs negou que houvesse qualquer diferença relevante. "As bolas são exatamente as mesmas que usamos no torneio anterior, então não acho que o problema seja esse", disse, referindo-se ao ATP 500 de Tóquio, disputado na semana anterior. O belga admitiu que notou quiques estranhos ocasionais, inclusive no aquecimento, mas tratou o fenômeno como algo pontual e normal da competição, sem relação direta com o resultado da partida.

A ironia do episódio é que, em Tóquio, Alcaraz usou as mesmas bolas para conquistar o bicampeonato do torneio, enquanto Bergs foi eliminado logo na estreia pelo tcheco Jiri Lehecka. A bola que rendeu título ao espanhol uma semana antes foi a mesma que ele questionou dias depois em Xangai.

Autocrítica de Alcaraz e o plano de Bergs

Apesar da queixa sobre as condições de jogo, Alcaraz reconheceu que seu nível em quadra ficou muito abaixo do necessário. "Meu nível foi muito baixo e o dele, muito alto. Mesmo assim, achei um jogo equilibrado", disse o cabeça de chave 2, que buscava o primeiro título em Xangai. Ele apontou a devolução de saque como o ponto mais frágil de sua atuação e admitiu excesso de erros não forçados, além de elogiar o adversário, com a ressalva de que "teve um pouco de sorte em certas situações".

Bergs, por sua vez, destacou a importância da preparação tática. "Preparamos muito bem a partida, mas uma coisa é ter um plano e outra é executá-lo", afirmou, reconhecendo que também contou com uma dose de sorte para fechar o resultado.

Um debate que não é novo em Xangai

A discussão sobre as bolas usadas no torneio chinês já havia aparecido em 2024, quando Daniil Medvedev recebeu advertência por esfregar a bola no corpo, irritado com a qualidade do material. Na ocasião, o russo chegou a dizer que bolas mais "mortas e lentas" beneficiavam jogadores capazes de gerar potência própria, citando justamente Jannik Sinner e Alcaraz como exemplos. Dois anos depois, é um dos supostos beneficiados quem reclama da bola na mesma competição - uma inversão que não passou despercebida no circuito.

A derrota também tem peso na temporada: tirou de Alcaraz a última chance matemática de terminar 2026 como número 1 do ranking, posto que já está garantido para o alemão Alexander Zverev. Sem o espanhol na chave, Bergs enfrenta nas oitavas o norte-americano Tommy Paul, cabeça de chave 15, que eliminou o atual campeão do torneio, o monegasco Valentin Vacherot. Será o segundo confronto entre os dois, já que Paul venceu o primeiro encontro em Indian Wells neste ano.